CGEE em Ação

Protagonismo internacional, inovação estratégica e cooperação pela sustentabilidade

Nesta edição, acompanhe a presença ativa do CGEE em fóruns globais sobre clima, inteligência artificial e ciência amazônica; fique por dentro do lançamento da nova Avaliação dos INCTs; da publicação do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial; e da contribuição do Centro em projetos estratégicos como o microlançador brasileiro.

Ciência, tecnologia e inovação em rede para transformar o futuro.

CGEE em Ação - Edição 3 CGEE em Ação - Edição 3

CBERS-6: Parceria Brasil-China aposta em satélite com nova tecnologia

Equipado com radar de última geração, o CBERS-6 permitirá monitoramento ambiental do Brasil mesmo com nuvens, chuva e ausência de luz solar

CGEE participa da Revisão Crítica de Projeto do Veículo Lançador de Pequeno Porte (ML-BR)

Reunião técnica em São José dos Campos reuniu instituições e empresas responsáveis pelo desenvolvimento do microlançador brasileiro.

CGEE apresenta potencial científico e tecnológico do Brasil em encontro internacional do Brics

Diretor-presidente Fernando Rizzo e assessora técnica Núria Brito participaram do “China-Brics Science and Innovation Incubation Park for the New Era” e destacaram as oportunidades estratégicas de...

CNPq e CGEE lançam Avaliação Estratégica dos INCTs com foco em impactos e redes de colaboração

Nova proposta contempla abordagens qualitativas e quantitativas, uso de inteligência artificial, mapeamento de redes de colaboração e participação ativa dos coordenadores.

Diálogo franco-brasileiro pela Amazônia: cooperação internacional fortalece agenda científica na região

Representante do governo francês, Nadège Mézié, atua no Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade Amazônica (CFBBA) e destaca o papel do CGEE na construção de pontes entre ciência, inovação e...

Assessora técnica do CGEE integra conselho consultivo do CTCN e participa de debates sobre o futuro climático global

Com atuação na rede Ringo, Emilly Silva ocupa cadeira no advisory board do Climate Technology Centre and Network (CTCN), da UNFCCC, e contribui para fortalecer a presença da ciência e da juventude...

Diretor-presidente do CGEE contribui com debates do Fórum da Engenharia Nacional

O diretor-presidente do Centro, Fernando Rizzo, compôs a mesa sobre mobilização da sociedade e defendeu o protagonismo da engenharia nacional como base para o desenvolvimento sustentável do Brasil.

CGEE em Ação - Edição 2 CGEE em Ação - Edição 2

Foresight como estratégia de cooperação: CGEE lidera articulação do Brics em CT&I

O diretor-presidente do Centro, Fernando Rizzo, destaca os avanços e próximos passos do workshop sobre foresight com os países do Brics.

Helena Nader é reeleita presidente da Academia Brasileira de Ciências

Primeira mulher a comandar a entidade ficará no cargo até 2028. Diretor do CGEE, Anderson Gomes, assume a vice-presidência regional do Nordeste e do Espírito Santo.

CGEE em Ação - Edição nº1 CGEE em Ação - Edição nº1

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Participação feminina cresce na pós-graduação, mas desafios persistem

Mulheres na Ciência

Participação feminina cresce na pós-graduação, mas desafios persistem

Mulheres são maioria entre mestres e doutores, mas ainda enfrentam desigualdades no mercado de trabalho.

Desde as primeiras lutas feministas, no século XVIII e início do XIX, as mulheres enfrentam barreiras no acesso a direitos básicos, como o voto, a propriedade privada e o trabalho fora de casa. Apesar das conquistas ao longo dos séculos, a desigualdade persiste, especialmente quando comparada à realidade masculina. Na ciência, esse cenário não é diferente.

Dados da mais recente edição do estudo Mestres e Doutores, publicado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) em 2024, revelam que, embora o número de mulheres tituladas no Brasil tenha crescido e superado o número de mestres e doutores homens, elas ainda enfrentam menores taxas de empregabilidade e remuneração em relação a eles. Além disso, a presença masculina continua predominante em determinadas áreas, refletindo barreiras culturais e estruturais que dificultam a equidade no meio acadêmico e profissional.

 

 

A participação das mulheres nos programas de pós-graduação no Brasil tem apresentado um crescimento significativo ao longo das últimas décadas. Em 1996, a proporção de mulheres entre os titulados em mestrado era ligeiramente inferior à dos homens, com 49,8% contra 50,2%. Contudo, no ano seguinte, essa realidade mudou, e as mulheres passaram a representar a maioria entre os titulados. A diferença em favor delas cresceu de maneira marcante de 1997 a 2013, estabilizando-se de 2013 a 2019, e voltando a crescer nos dois últimos anos do período. Em 2021, 56,8% dos títulos de mestrado foram concedidos a mulheres, superando em 13,6 pontos percentuais a participação masculina, que foi de 43,2%.

No caso do doutorado, a disparidade de gênero era ainda mais acentuada em 1996, com 55,8% dos títulos concedidos a homens e 44,3% a mulheres. Porém, ao longo dos anos, as mulheres ganharam terreno e, em 2021, essa diferença foi praticamente invertida: 55,6% dos títulos de doutorado foram conferidos a mulheres, enquanto 44,4% foram destinados a homens. Esse movimento de crescimento feminino se manteve constante na maioria dos anos entre 1996 e 2014, estabilizou-se de 2014 a 2020 e voltou a crescer em 2021.

Esses dados refletem um cenário de avanço significativo na presença feminina no ensino superior e na pesquisa científica, destacando a crescente participação das mulheres na formação acadêmica de alto nível no Brasil. A tendência de inversão das proporções, tanto no mestrado quanto no doutorado, revela uma transformação na composição da academia brasileira e no protagonismo das mulheres nas áreas de ciência e pesquisa.

Fonte: Elaboração do CGEE a partir de dados da Plataforma Sucupira - Capes/MEC (1996-2021).

 

Mesmo sendo maioria, mulheres ganham menos 

Por mais que o número de mulheres com titulação tenha crescido, a remuneração não seguiu a mesma tendência. No ano de 2021, não havia nenhuma grande área do conhecimento na qual as mulheres com mestrado ou com doutorado recebiam remuneração mensal média igual ou superior a dos homens. A diferença da remuneração das mulheres era mais elevada entre os titulados no mestrado do que no doutorado, em todas as grandes áreas do conhecimento.

As maiores diferenças de remuneração das mulheres em comparação à dos homens ocorreram nas grandes áreas das ciências agrárias e das ciências sociais aplicadas. Nessas grandes áreas, as mulheres recebiam remunerações que eram respectivamente 29,7% e 28,8% menores do que as dos homens, no caso dos mestres, e 21,7% e 20,8%, no caso dos doutores.

 

Sobre o assunto, a cientista e assessora técnica do CGEE, Sofia Daher, que coordenou a elaboração do estudo, destaca como preocupante a acentuada diferença de remuneração entre homens e mulheres. “Das 81 áreas do conhecimento, as mulheres ganham menos em 80 delas. E elas ganham menos em todas as regiões e estados brasileiros. As mulheres mestres chegam a ganhar 28% menos em relação aos homens nas regiões sul e sudeste. A menor diferença é na região norte, região de pós-graduação mais recente, onde a diferença é 9% a menos para elas em relação aos homens  doutores”. 

 

 

Daher também destaca a baixíssima participação de mulheres em determinadas áreas do conhecimento. Enquanto em 2021 a participação feminina foi expressiva em campos como saúde (70%) e linguística, letras e artes (64%); a presença de mestres e doutoras ainda era significativamente menor em áreas, como: ciências exatas e da terra (34%) e engenharias (35%). Esse cenário evidencia desafios persistentes na equidade de gênero na pesquisa e na formação acadêmica.

Segundo a pesquisadora, essa baixa participação em determinadas áreas é resultado de fatores culturais, mas é fundamental assegurar que as mulheres não enfrentem barreiras ao ingressar em qualquer área do conhecimento. “Não há outro motivo, que não o cultural, para essas assimetrias. A garantia que se deve buscar é que elas possam se sentir aptas e confortáveis em qualquer área de atuação e que sejam estimuladas a escolher suas carreiras sem esse tipo de amarra”, afirma.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

 

Tripla jornada na ciência

 

A assessora técnica do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Juana de Lucini, é uma das milhares de mulheres que enfrentam preconceitos, a sobrecarga da tripla jornada — vida acadêmica, trabalho e criação dos filhos — e os desafios impostos à presença feminina na ciência. Doutoranda na Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB), Lucini conta que nunca pôde se dedicar exclusivamente à pesquisa. Desde o início, precisou conciliar o estudo com a maternidade e a vida profissional. 

“Desde a graduação, estive envolvida em projetos de pesquisa. A carreira científica sempre foi meu objetivo. No entanto, ao concluir o mestrado e decidir pelo doutorado, sabia que, para me dedicar integralmente ao projeto, precisaria sair do Brasil. Isso só foi possível quando recebi uma bolsa em uma universidade australiana, que me permitiu foco total na pesquisa”, afirma. 

O plano, porém, foi interrompido por um desafio comum a tantas mulheres: a gravidez. Sem rede de apoio na Austrália, ela precisou retornar ao Brasil e trancar o doutorado.

“Quando descobri a gravidez, já estava na fase final do doutorado. Voltei ao Brasil para contar com o suporte da minha família. Embora a bolsa na Austrália fosse mais generosa, não havia licença-maternidade, o que significava abrir mão do único sustento que eu tinha naquele país. Com uma filha a caminho, continuar nessas condições era inviável”, conta. 

A maternidade trouxe novas barreiras. Além de impedir o retorno à Austrália, a reinserção no mercado de trabalho e na vida acadêmica após o nascimento da filha se mostrou desafiadora.

“Nós, mulheres que temos filhos, enfrentamos um descrédito enorme, porque dispomos de menos tempo. Ao buscar recolocação, fui desqualificada por ser mãe, como se isso comprometesse meu desempenho. E essa percepção não se baseava nos meus resultados — que sequer foram avaliados —, mas no preconceito de que eu não daria conta do trabalho por ser mãe”, destaca. 

Lucini relata que não teve sucesso em processos seletivos por este motivo.

“Em algumas entrevistas, ouvi que não seria contratada por ter uma filha pequena. Em outras,   diziam que eu viajaria demais e isso não seria bom para ela — uma decisão que caberia a mim,   como mãe.”

Os avanços na participação feminina na ciência e na pós-graduação no Brasil são inegáveis, mas os desafios persistem. Embora as mulheres tenham se tornado maioria entre mestres e doutores, a desigualdade salarial, as barreiras culturais e a dificuldade de conciliar carreira acadêmica e vida pessoal continuam a limitar seu pleno desenvolvimento profissional. A tripla jornada, o preconceito no mercado de trabalho e a sub-representação em áreas estratégicas reforçam a necessidade de uma mudança estrutural na sociedade. O caminho para a equidade passa pelo reconhecimento dessas desigualdades e pelo compromisso coletivo em superá-las. Afinal, uma ciência mais diversa e inclusiva não beneficia apenas as mulheres, mas a sociedade como um todo.